Entre tragos de outros cigarros de ébano eu me pergunto por que teve fim aquele que parecia ser o mais belo dos amores, que encantava todos os putos sem destino que se amontoavam nas camas enquanto nós gozávamos somente para depois se alimentar da proteína cor de pérola que escorria da tua ostra nua que eu tão magicamente tinha roubado para mim. Maria Bethania quer justificar em uma canção esquecida, por que não estamos mais sorrindo na fotografia desse dezembro tão vulgar, que não tem os nossos gemidos nas trevas e nem mesmo tem os rostos escandalizados com os nossos casos amorosos nada convencionais. Parece que a cortina se fecho no nosso espetáculo e ninguém mais tem o suficiente que se requer para tocar um bis.
Obviamente as noites agora tem um toque tão mais suave que me causam as vezes um tédio descomunal, pois vejo aqueles rostos tão pálidos de amor cínico que nem deixa as pernas ensopadas, porém dão pontadas nas cabeças de chumbos adornadas com chifres, natural dos vikings que nós sarcasticamente imitávamos em um teatro recheado de gritos escancarados do prazer angustiante que a penetração causava. Mas agora depois da tragédia ocorrida me permito tomar deles um gole daquilo que banhava meus dias: o famoso sabor meio amargo de gozo matinal e a promessa de um dia perfeito.
A tua ausência tão presente criou em mim um mundo de alucinações tão conformista, que pretendo doar aos meus poetas desempregados, algumas das minhas lágrimas de inspiração que possam criar trechos tão bonitos quanto os citados em várias músicas que eu ouço nesse momento, mas que nem tocam meu coração ou me dão algum significado, já que o nossos sonhos são meu maior veneno e mortificam em meu peito o pobre e vadio coração que é teu. Nada me faz mais mal que as unhas mal cortadas da solidão que eu sinto, toda vez que deito na cama em que nós fizemos nosso filho, nossa vida e nossos mais inconfessáveis desejos. Nem os dados rolamos e nem mesmo demos ao nosso futuro uma chance, pois a distancia infernal que fomos condenados, me tornou um egoísta que não merece mais tua compreensão e nem teus abraços. Indignamente, porém, acendo esse texto como uma vela em oração, para que se tudo der certo, quem sabe um dia terei em meus braços outra vez teu tão temeroso corpo de pecado amargo e todas as promessas infiéis que um dia eu lhe fiz, talvez se concretizem
Por fim digo que vejo o teu corpo nu no reflexo de mais uma noite solitária de justiça com as próprias mãos e aparentemente quer minha companhia doce em mais um de seus sonhos torturantes. Meu corpo aos poucos adormece nessa ilusão de que terei você aqui de volta, mas a minha mão sabe que não é teu seio que toco neste momento. Apenas deixo as coisas irem lentamente até o clímax dos meus pesadelos e reviro o olho numa tentativa de reviver as marcas que não trazem você. Uma boa noite!
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