Eis meu corpo nu diante do espelho dos teus olhos cor marrom, todo marcado para o abate certo do dia a dia, com minhas formas disformes e os olhos de quem bebeu demais na noite anterior e fora privado do direito nobre de esquecer seus problemas e apagar sua existência dos registros da noite anterior. Apagar como se fosse uma noite triste de inverno, com nuvens na frente da lua cheia e deixar passar todas as emoções transviadas do meu coração vazio, como se fossem carros a 180 em qualquer uma BR.
Não me importa o sol que se anuncia do lado de fora e nem mesmo a voz suave da Marisa, me pedindo pra ligar o som e apagar a luz, nada nesse momento rompe o frio da situação que estamos erguendo nesse instante: Eu confrontando nos olhos o fato de que tudo que sua boca diz pode não ser tão verdadeiro quanto a minha ilusão deseja acreditar. Não somos tão próximos quanto deveríamos ou até quanto gostaríamos, somos apenas mais dois numa multidão que grita no banheiro por mais uma dose destilada de romance.
Inegavelmente seus sonhos me alucinam mais que qualquer gemido oriundo dos quartos ao lado, principalmente por percorrer em mim a sombra da dúvida de que não são pra mim seus suspiros e que num cenário de filme branco e preto, não sou eu que estou deitado do seu lado. Não te culpo, pois sou apenas um evento de momento na sua vida, algo que apareceu sem por que, mas que acredita que pode te fazer bem. Obviamente arrogante quero retirar do seus ombros o peso de uma história mal resolvida e quem sabe até ser alguém que te faça sentir completo.
Repouso meus olhos em seu jeito tão indiscreto de agir, me encantando com a forma amedrontada que deixamos as coisas não ocorrerem em nossa história contada em sussurros e deixo estampado nos meus textos todos os segredos camuflados dessa relação indefinida. Acho agora até um pouco de graça, talvez pelo efeito do vinho da noite anterior, ou talvez tenha sido alguma outra fuga qualquer, mas isso não importa realmente com todo o contexto fúnebre que se dá sempre que o sol sai para seu repouso no fim de uma tarde primaveril de domingo.
Pensei honestamente em um final mais profundo,mas em meu corpo não restam as veias poéticas das ultimas semanas, apenas estou sentindo o cansaço de acreditar em mim me consumindo. Nem há mais o ego belo que me fazia o melhor dos melhores homens do mundo. Neste dia frio de 38 graus a unica coisa que repousa sobre mim é a distancia que criamos!
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