domingo, 4 de dezembro de 2011

Lingerie

A luz é pouca para dar ao recinto um ar mais que profano para o que eu vou falar ao pé do teu ouvido seco. Sou perfeitamente culpado pelo roxo em seu pescoço, mas em minha defesa surgem em minhas costas as marcas de suas unhas propositalmente afiadas, que tiraram sangue perolado do meu corpo de eros. Não sei se em minha imaginação ou em outro universo mais sádico, mas eu ouvi os seus sussurros de madrugada e parecia que meu toque em seus lábios surtiram efeitos além dos esperados e antes que eu imaginasse eu tinha você, inspiração dos meus prazeres sórdidos, em meus braços de loucura, se equilibrando num toco, para me alcançar.

Eu sou um pecador consciente de que pelo seu decote abandonei a minha religião, família e lazer, bem como deixei para trás a segurança de um vigia, para me esbaldar nas luxúrias de teu corpo tão juvenil, que se revelou quando despiu sua roupa intima na cor negro, como teus olhos e me atraiu para dentro de teus encantos sem compromisso e num flerte fatal acabei com toda a tua pureza cruel, como se não passasse de um lacre a ser rompido.

Aos sacanas inescrupulosos que dizem sobre minha vida libertina, peço que por favor atenham-se ao fato de que não se existe força que faça resistir aos lábios superiores e inferiores, desta ninfa virginal e que não a mágica que faça levantar barreiras diante do vento que derruba lentamente tua camisola e a deixa a dois dedos do teu ombro esquerdo, revelando por entre o sutiã um mamilo rosado e ainda não tocado por nenhuma mão tão experiente. Falando em toques, um dos pontos sensuais é o nevoeiro causado pelo cigarro de menta que sua boca ostenta, dando, em contraste com tua maquiagem de princesa, um tom bem mais malicioso que suas pernas trêmulas poderiam sustentar.

Seu perfume é uma  cocaína tão ilícita quanto a branca que se vende nos morros, que realiza dentro de mim um misto tão pesado de sentimentos que me torno infame sentimentalista, quase apaixonado por ti Lolita. Entre tuas pernas oro aos anjos que afastem de mim o fantasmas da culpa, que ainda vagam as vezes nos corredores sombrios de meu ordinário cotidiano social.

Lhe contarei das mil homenagem que lhe prestei com a mão direita desde a primeira vez que vi aquela lingerie negra que escondia o corpo pálido, virgem e juvenil que agora se entrega com pouca resistência ao meu tão estimado e ereto ego. Entre as quatro paredes que confidenciam nossas caricias eu lhe confesso ser  o conhecedor de tua geografia ainda não decifrada e desço meu facão para tua floresta rala e como um bandeirante, penetro dentro de ti e arranco teus gemidos como se fosse ouro para minha coleção. Deixo agora o som baixo de tua voz ser o ponto mais alto de meu prazer, que me conduz ao ápice de nosso amor cardíaco, onde cada segundo a mais é um risco de morte.

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