quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Cotidiano

Todo dia eu acordo sem ter pra onde e sem saber quem é que vai ou quem é que fica, mas com a certeza que vou ter as mentiras de cada dia gravadas no meu celular. A mesma droga de café amargo queima minha garganta profunda enquanto eu ouço que meu time não é mais tão vice quanto o seu, mas isso não faz a minima diferença pois eu sei que você não está mais aqui e que o que restou do nosso amor é sua agenda cor de rosa e a esperança de que um dia a gente se encontra.

As bocas falam tantas besteiras que sinto um fedor peculiar de quem defeca pela mesma ao invés de construir algo melhor com suas palavras e isso acontece em todo lugar. Mais um suicida corta os pulsos enquanto choraminga por sua namorada infiel e sempre vai ter alguém que se vangloria de vitórias medíocres. A campanha de 70 não tem valor pra quem está na beira do precipício.

Nos trens da central deve ter alguém mais desconfortável com o mundo do que eu, alguém sentindo sua quentinha apertada contra as costas e vendo o casamento desabar pelo ciúme pré programado para os dias de shopping e churrasco com amigos na beira da praia. E deve ter alguém mais deprimido do que eu em algum lugar da princesinha do mar, por ser mais uma vitima de um flerte fatal que terminou quando o dia raiou e a carteira não estava do mesmo jeito que antes. Mas eles não sabem como é se sentir vazio de verdade.

Corriqueira e incomoda situação que me pega no meio do dia, que me leva a olhar pelas janelas a procura de alguém que ocupe o espaço na minha tarde vazia. Um clichê totalmente aceitável é a voz do Nasi repetindo que você me ligou para valer o dia e que eu para variar não atendi, talvez com medo da profética retórica de nossa vida comum, desgaste de anos sendo oposto do que deveria ser vivido.

O rádio uiva um lobão apaixonado pela paranoia que você me acostumou a viver, com todo romance digno de um roteiro de Felini e com todo ardor de uma mulher insaciável. Claro que isso foi no tempo em que eu era Don Juan e você era apenas a que eu havia escolhido pra me amar. Só que pro destino quando sexo se torna a  melhor das rotinas, ele se envergonha e trata logo de dar para cada um, lágrimas, infidelidade e desconfiança...

Na hora de dormir eu escrevo certos textos que desafogam o que na manha seguinte vai estar entupido de novo e como um dos muitos que vivem a minha volta, defecarei minha insatisfação pelos dedos. Quem sabe identifiquem-se melhor com minhas sombrias travessuras que descrevo em meus textos rubros de sexo. Rituais de cada dia que servem de apoio para continuar sendo assim. E que se danem os puritanos ou os que me abandonam, careçam de minha compaixão e eu lhes dê mais do mesmo troço diferente.

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