segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O seu ultimo truque

Esse deve ser meu ultimo conto e aposto que você meu leitor antigo deve estar esperando algo sobre paus e bucetas ou sobre sexo impiedoso e mordaz. Infelizmente devo decepcionar a todos, pois tudo de sexo e prazer que eu poderia oferecer ao mundo eu gastei nas ultimas horas de meu dia, enquanto filosofava nu na cama sobre os segredos de dois corpos entrelaçados e assistia em minha mente a síntese sombria e poética de uma relação inflamável.

Nos últimos meses dentro de mim eu vivia num bordel de sentimentos que se esfregavam na primeira pessoa interessante que aparecia, como se quisessem vender um pouco mais de mim que ainda não tinha sido tomado pela credora depressão, que levou os pedaços mais selvagens de minha personalidade. Sim, fiz tipo de coitado pra ver se alguém sentia um pouco de pena de mim e talvez me levasse pra algum lugar que me devolvesse o corpo moreno que antes eu costumava habitar e dividir os melhores sonhos e até mesmo os mais profundos orgasmos, mas a pena que me deram foi a de leproso, que se dá cuidados especiais a distância. Me vitimei e acabei fazendo de minha imagem reflexo de palhaço, bicha e até as vezes de sábio, mas nunca de macho que valesse levar pra casa e trepar a madrugada inteira.

Na ladeira da queda livre que eu estava precisei de uma sexta feira e alguns copos de uma bebida sem álcool pra conhecer um sorriso amigo que me deu conforto inexplicável, como se eu não fosse o único que procura alguma coisa no caminho. Foi carinhoso a forma que ela me olhou, talvez por que fosse sem nenhum propósito o intenção escondida. Se tivesse sobrado mais de coração em mim, podia ter sido fatal, pois nunca estive tão entregue como me senti naquela hora. Eram muitos cigarros que minha visão turva enxergou o surgimento de uma amizade pura e simples. Nada melhor para dois viajantes cansados de andar nesse deserto amarelo que é o amor.

Me senti mais preenchido de qualquer coisa que fosse mais relevante que o vazio oco que se constituiu dentro dos meus dias nerd e por isso sorri mais que qualquer um, sendo radiante no meu mundo contido. E com as horas passando percebi que seria do jeito que haviam me dito, pois toda a ferida sara e nem importa o quanto queira gritar ou deixar aberta, tudo vai fechar. Seja num quarto escuro aproveitando do doce perfume do corpo de uma mulher ou cantando alguma melô de karaokê, você vai acabar vivendo mais que sua dor e infelizmente ela vai desaparecer.

E dentre os convidados ilustres do meu fim de semana eu estive diante da própria filha do vento, que possui o mais belo par de vergonha que eu já pude ver e dotada de uma paixão voraz quando instigada, mas que nem ao menos se permite a glória de um momento sem culpa. Nela eu me vi e talvez por tê-la criado em minha mente e notei a insegurança de um mundo de cobranças, quando você não é aquilo que mais agrada a massa e tem que dar mais de si que existe dentro dos teus mais inocentes desejos. Ela foi inventada numa noite onde não cabiam meus sonhos e sentir seu toque de brisa partindo foi a mais pura sensação de respeito que eu poderia sentir. Não que não tenha pintado o ciúmes de ter que ver algo que eu criei indo pra  qualquer braço que não os meus, mas não se criam sonhos pra serem vividos só por você e disso só os que sonham e deliram intensamente podem dizer.

No fim de minha excursão insone por três dias no maravilhoso país das maravilhas, me deparo com uma rainha de copas sorridente que se diz a própria voz da salvação, dizendo belezas sobre redenção e arrependimento, mas para a sua infelicidade, minha nova alma fora tolida por um prazer maior que vinha dos céus ultra violetas que se anunciavam sobre a cidade maravilhosa e deixei suas palavras para um outro dia, pois preferia voltar pra casa do que ser taxado de chapeleiro louco, que vive no aguardo de sua Alice arrependida e cheia de sonhos. Eu estava diante de um novo dia e de uma nova oportunidade de ser mais um idiota que sorri a toa por estar apenas vivo.

Claro que na volta pra casa, me senti mais confortável com o tom de voz de Cazuza me lembrando que tudo que tinha vivido nesse sonho acordado era parte do meu maior espetáculo, naquele que sou protagonista há quase 22 anos, atuando e as vezes até sangrando por esse personagem que tanto agrada o público e até a mim mesmo, já que sempre reinvento um jeito novo de sorrir ou chorar e quem sabe até mesmo amar, mas isso nunca esteva nas minhas mãos. O que posso concluir que meu maior truque e talvez como o titulo anunciou, o meu ultimo truque é ter amor pra recomeçar sempre que acabam com todos os meus sonhos. Me despeço sem sexo nas minha linhas finais, mas garanto a todos que minha mente está cheia de profundos toques para sua gruta apertada que me atrai bastante. Digo agora que por hora não tenho mais palavras, mas em breve posso estar citando mais segredos de uma boca cheia de pecado e de outros prazeres mais viscosos... And here I go!

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