domingo, 27 de novembro de 2011

Amaldiçoado

Os demônios riem da minha desgraça enquanto jantam seus pratos de chacina e vergonha e pelos cantos eu ouço o suspiro amigo de quem sempre desejou a minha desgraça. Tratado aprisionado em minha torre escura e tendo a companhia de gárgulas escrotas que preferiam estar petrificadas ao lado de alguém bem mais belo ou sortudo como os baixos carecas que povoam o meu mundinho. Eu sou vassalo do destino insone que apodrece as mais antigas lembranças felizes para me lembrar do que eu sou, um bastardo, um maldito cantor das mais óbvias anedotas.

Sempre me dizem que vou sobreviver ao estado de tormenta que causaram em minha vida, mas quando se vive tanto quando eu vivi, sabe-se que não se pode confiar nas palavras de troiano qualquer ou nem mesmo aceitar os beijos de uma cortesã como se eles fossem durar, pois nada dura para quem tem a marca que carrego no coração. Sou como um leproso, recebendo do mundo sua piedade por ser maldito e ao mesmo tempo sublime. Sou desprezível e desprezado. Ironicamente eu sou feito de todo esse desgosto fátuo e compelido há uma desgraça tamanha, que enlouqueceria o mais simplório dos seres, mas apenas abastece em mim a vontade de continuar caminhando, rumo ao fim dessa existência tão pequenina.

Pai, se está sempre comigo, diga-me quais são seus planos para este fiel servo do oposto, que tanto luta por um lugar junto aos comuns e só recebe de ti, os olhares de reprovação e a negação de uma vida comum ou até mesmo de um final coerente para uma alma como a minha. Vago por essa terra, como um zumbi, quase um parasita que se alimenta da boa vontade e da luxúria que se despeja nos quartos escuros de festas de garagem.

Questiono as piranhas de Noel se sou mesmo esse maldito encantado que traz um leque de histórias carinhosas em sua bolsa e não recebe nenhum reconhecimento se quer por suas canções. Elas apenas me sorriem e perguntam se eu quero mais um programa, no qual eu apenas assistirei no escuro aquilo que me daria prazer se fosse em mim. Observar e não poder tocar, essa é minha maldição.

Antigos profetas dizem que um dia haverá esperança reluzente no horizonte negro em que habitam meus sonhos mais profanos e na clareza de um domingo, se fará de novo vívida a chama da felicidade. Profetas mentem. Não há felicidade para os que foram marcados pelos anjos a aguardarem seu julgamento queimando no fogo brando e falso dos beijos sem amor que me oferecem as pobres donzelas do arpoador.

Levem para casa esta canção de desprezo completo aos que vagam sob a luz dos sorrisos e trafegam pelas ruas pichando com seus romances saber de chocolate, as praças e ruas que eu deixei cinzentas. Não façam de mim seu mártir ou acreditem quem eu sou algo mais que um penitente, pois não sou. Minha sina é não dormir para vigiar que os sonhos dos que amo se realizem quando eles estiverem acordados. Maldito e aprisionado pelos próprios dogmas. 

Um solitário cavaleiro das trevas, que faz de si mesmo um exemplo de punição e crueldade, que trocou seu coração por um diamante, quase indestrutível por danos externos. Sem prêmios de chegada ou beijos de namorada, como cazuza, sou apenas mais um cara latino americano que sem dinheiro no banco, não frequenta mais as festas da high society e não beija das bocas mais conhecidas e nem se alimenta das ovas dos peixes. Não tenho dinheiro,  moral , escrúpulos ou mulher para me acompanhar. Não tenho mais casa para chamar de lar e definitivamente não tenho mais quem chamar de irmão!

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