quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Conversando sobre vinho

Que me perdoe o Bacardi, companheiro de inúmeras noites nas boates do baixo leblon. Que a cerveja do Zeca, não me ouça, mas se me ouvir que não se ofenda com minha declaração, pois o que eu irei revelar é de conhecimento público. Do Olimpo, casa dos deuses até a taverna dos mortais, os lábios mais sensatos provaram o liquido vindo das uvas pisoteadas e se renderam ao seu amor suavemente seco.

Para ele fizeram orgias e lhe deram a divindade mais sacana de todo um panteão pervertido, que não necessitava ser belo ou conhecido, mas por onde passa vinhas cresciam ao seu toque e mães tomadas de uma febre louca cometiam assassinatos em seus filhos desavisados. Baco não era o senhor dos deuses e nem mesmo governava os mares, mas sua bebida ceifava mais vidas, acabava com mais reinos e era capaz de unir mais casais que a maioria de seus irmãos invejosos.  E desde os primórdios, se a festa é boa ela é regada ao bom vinho.

Amantes sábios conhecem o poder de uma boa taça de vinho suave nos lábios açucarados de suas donzelas e os efeitos milagrosos  que eles causam. Uma dama na sociedade só se torna uma verdadeira puta na cama após alguns goles do avermelhado liquido encorajador. E lhe garanto que boa parte da população mundial só está aqui hoje em dia pelo empurrão de algumas goladas vorazes e o som de Barry White, que combina perfeitamente, assim como cachaça, açucar e gengibre.

Pode vir do Chile ou da Argentina, do norte do Canadá se bebe ele congelado e na Itália se bebe para não morrer do coração. Na minha casa se bebe da melhor forma, sempre bem acompanhado de uma dama fatal e uma boa musica no rádio e petiscos a mesa.

Presto minha homenagem ao vinho que me entorpece quando meu cachorro Vênus for roubado ou quando quero sacrar com meus irmãos a páscoa em uma ceia. Brindo esse que é o sangue de Deus, seja cristão ou grego e que me eleva não só como pessoa mas também como boêmio e louco inveterado. Que no dia que não houver mais vinho na Terras, meus ossos se vertam em uma grande trepadeira e de meus restos mortais saiam as vinhas que darão ao mundo o fruto que vos libertará!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Conversando sobre o natal

Veja se não conhece essa cena: É natal e a ceia está pronta, com nozes, chester, rabanadas e algumas frutas enfeitando a mesa. No rádio toca alguma coisa bem retrô e seus parentes normalmente fazem alguma brincadeira incoveniente, que pelo espírito da noite, você acaba relevando. A meia noite passa e logo após a programação chata da Globo vem a missa do galo, um momento para lembrar o que o natal celebra, além do consumo desmedido das massas. Algumas familias rezam junto a missa e outras, julgando que sua fé é um tanto superior oram na hora da comida. Todos se julgam, naquele momento, pessoas de bem que estam transbordando do espirito natalino. Que hipocrisia!

Eu não sou o especialista em entender o sentido escondido nas lacunas dessas festas, mas tolerar o seu tio ou comprar um presente, não lhe torna um bom cristão e desculpe a franqueza nem mesmo orar pra Deus proteger as pessoas, o faz. Passamos um ano inteiro, aceitando as misérias, as vezes dando migalhas para dormir tranquilos e nos achar no direito de apontar o dedo na direção do alto e clamar: Eu sou o certo!

O natal é a prova de quanto somos hipócritas, por que não saimos desse mundo consumista, mesmo pensando nas pessoas que passam fome. Uma oração não vai nos tornar imunes ao fato de que enquanto comemos uma quantidade exagerada na nossa ceia, pessoas passam fome e vendem seu corpo por pão e que alguns se mutilam para comer num ano, o que comemos numa unica noite. E não lutamos pra isso mudar.

Esse é o momento em que vão se levantar e falar: Mas eu não tenho como ajudar. O poder público é a grande falha e que o sistema não funciona. Besteira. Ninguem faz nada para mudar isso, por que temos nossa vida pra seguir e não estamos mesmo nos preocupando com quem não conhecemos. A dor alheia não tem rosto e por isso não nos afeta realmente.

O tráfico ainda vai trabalhar no natal e junto com as prostitutas mirins de copacabana que não costumamos ver de verdade vai ter função e essas pessoas, o presente vai ser mais vicio e defloração dos valores morais que sua familia ainda preserva por ter dinheiro suficiente para comer como condenados, no dia da celebração de um Deus pagão com outro nome.

Troquem seus presentes e comam tudo que puderem comer, pois eu estou fazendo isso com minha familia também, mas na hora da missa do galo ou da oração do pastor, lembre-se o quanto hipócrita soa falar com Deus pra salvar as pessoas e não fazer nada pra isso mudar!

Feliz natal e uma ótima ceia!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

conversando sobre a Débora

Era uma perfeita visão: seu corpo por um breve momento entregue plenamente na melodia que guiava seus passos numa dança inrresistivel. Era ela, naquele momento, a pessoa mais bela em toda Zullaman e ouso até dizer que os astros por um instante lançaram seu olhar indiscreto naquela menina discreta que ali se permitia alguns segundos de liberdade.

E eu estava ali, aturdido com a sutileza daqueles passos singelos, que não tinham nem mesmo a intenção de serem nada além de movimentos descompromissados e daí sua beleza. Foi nesse momento que entendi o segredo dela, a pura simplicidade. Ela não precisa de maquiagem pra chamar atenção e nem mesmo usa artifícios pretenciosos pra ser notada no meio em que está. Sutil e discreta pode chegar e sair sem causar o furor exagerado de outras damas, mas quando está num lugar faz sua presença ser marcante ao ponto de que quando se vai, cause saudade.

Não é de sorrir ou abraçar mas quando o faz prova que guarda esses pequenos detalhes para quem merece e não simplesmente os distribui como santinhos em tempo de eleição. Sua simpatia esta nas palavras normalmente francas e duras, não em carícias falsas e discursos demagógicos.Não precisa desses artifícios, pois não está ávida em se encaixar em algum lugar, não deseja ser aceita em lugar nenhum por ser alguem diferente de ela mesma.

Nos livros encontra os romances que nunca se permitiria com vampiros apaixonados e intrigas supreendentes, capazes de arrancar suspiros de amor e a levarem tão distante de seu quarto que por um momento até aceita o fato do amor poder toca-la e não precisar mais usar essa armadura fria que costuma usar para não se envolver.

Aos meus olhos ela é essa menina que me encanta e fez de mim um admirador apaixonado, que por isso sou suspeito a falar posso estar tornando-a mais bela que realmente parece. Mas mesmo que meu texto a pinte com cores mais belas e não tornei-e seus defeitos, acho que não estou tão distante da realidade e da Débora que existe no mundo real. Mas caso eu tenha exagerado, desculpe, mas estou usando a licença poética que todo escritor, louco ou apaixonado tem direito quando descrevem sua musa inspiradora.

Que esse meu regalo seja para ela um motivo para corar e sorrir ou ao menos para entender o meu ponto de vista tão torto.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Conversando sobre exibicionismo e voyerismo

Estavam feito Adão e Eva num outdoor expostos em toda sua passionalidade, com a carne crua e vermelha quase exaustiva de tantos gozos e gemidos.Atônitos os pedestres se paralizavam frente ao ato pecaminoso, que ali era realizado. Ambos sabiam do risco de serem alvo de olhares recriminatórios, mas não se importavam pois era o que desejavam. Chamavam atenção por treparem na frente de todos sem o menor pudor ou vergonha e isso os excitava cada vez mais.

A mulher sentia o desejo dos outros que com seus olhos a comiam com a mesma voracidade de seu macho, enquanto o homem deixava sua mente viajar no fato de que muitas das mulheres que puxavam seus maridos, trocariam com facilidade de lugar com sua companheira e isso lhe causava uma alegria descomunal. No fim, todos estavam suados de tanto gritar, gozar, rir e chorar; alguns até estavam chocados, mas preferiam guardar seus comentários para si e outros apontando o dedo e despejando palavras de repulsa sobre o casal que apenas sorria.

Eu estava lá apreciando o ato que se desenhava como traços de algum pintor surrealista, com as cores e a textura exata do tesão, algo que realçou na minha vista e me expôs verdades antes não me reveladas, pois aquele Adão e aquela Eva eram como eu e todos os outros espectadores, mas eles ousaram mostrar seu sexo ali, numa praça qualquer, sem pretexto ou desculpa, apenas fazendo o que desejavam para agradar quem lhes dava combustivel.

Olhei a minha volta e lembrei-me de um samba de Jõao Bosco, em que ele descrevia um crime, um corpo no chão e as pessoas chegaram apenas pra ver e começou uma algazarra por causa disso. No samba dizia que chegou baiana, camelô e até pai de santo e todos ali estavam pra ver um corpo estendido no chão. A morte nos espanta pois sabemos que uma hora a nossa chega e o sexo é tão secreto que quando exposto aos olhos nús e despreparados, ele encanta e repudia com um frenesi desesperador. E todos param para olhar enquanto alguns se exibem.

Das bundas de copacabana, aos barracos de sábado nas festas do BBB e indo até o carro parado na rua levemente escura com um casal transando, o fato é que gostamos de estar observando o mundo e nos deleitando nas possibilidades dos outros, criando teorias para o proximo e analizando a nossa vida como num espelho. Exibicir e observar é o principio da vida de qualquer ser humano e como tal não passa apenas de uma prática sexual e sim de um aprendizado diário e escroto algumas vezes.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

conversando sobre a arte da sedução

Para seduzir primeiro você tem que apreciar a distancia o alvo de seu intento e experimentar com os olhos, sentir na saliva o gosto de cada parte do corpo que merece ser tocada. Tudo nasce primeiro na mente para cada musculo ir respondendo em sequencia. Normalmente sãos os olhos que contemplam, que acabam invadindo o corpo e o possuindo com ares de paixão. Logo em seguida é a boca que solta amenidades sutis enquanto na ponta da lingua esgueira-se uma sacanagem e outra para serem ditas, só pra provocar. O suor do nervosismo evidente que acaba escorrendo pela lateral do rosto e denunciando uma intenção escondida.

O vinho, bom companheiro dessas horas entroperce os sentidos lógicos de ambos, deixando tudo nas mãos divinas da vontade. A musica enebriante ou vibrante, não importa tanto, faz com que o corpo movimente-se em direção ao ato, sem mesmo sentir. O pescoço quebra para o lado, deixando a jugular desprotegida para eventuais mordidinhas e coxa encontra a coxa, na parte interna, procurando um lugar para se instalar. A mente gira em direção do desconhecido vale de beijos.

Obviamente nesse momento a mão percorre o corpo a procura de um lugar para agarrar, fazendo um reconhecimento cego guiado pelo tato, do corpo que tanto é desejado. As palavras ficam mais baixas, confusas, feitas apenas para a ponta de orelha que aguarda o hálito quente que arrepia.

Os olhos voltam a ser fundamentais, pois refletem cada pensamento escabroso e sutil que enlouquece de volúpia a mente que se abre para o fato de que já está dominada. O que a boca fala já são as juras do momento, que nem sempre são de amor, mas de prazer. Obviamente é silenciada com o beijo tão aguardado, as linguas iniciam então um combate sem vencedores, sugando até alma para dentro do corpo.

Seduzir é ser como um luar, ao mesmo tempo luz e ao mesmo tempo mistério. Ser do seu par antes mesmo de ser e se entregar sem vergonha da lascivia. Se souber se entregar, seduzir vc terá aprendido!

Conversando sobre a minha morte

No ultimos dias, não se se motivado pela crescente onda de violência em minha cidade natal ou se pela aproximação do meu aniversário, mas estou pensando muito em minha morte.Espero realmente que a recíproca n seja verdadeira, mas caso seja e meu destino esteja para chegar ao fim, quero deixar claro qual foi a minha conclusão da morte ainda em vida.

A morte é a coisa mais interessante que temos nesse mundo, pois ela dá a cada dia um significado de unidade impressionante. As pessoas não são capazes na maioria das vezes de entender por que fazer loucuras é tão bom e o unico motivo é que você pode partir sem nunca ter feito e isso é detestável. Seja lá qual for a sua crença, saiba que a vida que você tem hoje é a unica e mais valiosa no momento. O paraíso não é uma coisa comprovada e não vale a pena viver almejando algo que nem é certo. O ditado sobre os pássaros deve ser levado em conta. Agora é o que você tem, não importa o que me diga e nem o que você acredita, mas só o hoje tem importancia. E não estou sendo leviano.

Vejam o filme "Sim senhor" que mostra o quão louca nossas escolhas podem ser e pra onde elas nos levam, num destino impressionante. E a mensagem que ele passa é verdadeira, devemos mesmo abrir mão da segurança de um amanha e do conforto que o não nos causa para experimentar e acho que a morte foi posta no mundo inclusive para isso. Para que cada segundo valha a pena viver e quando puder reviver, mas se não puder que seja, ele vai estar gravado no peito ou na mente. Sem se arrepender, pois não tem por que se envergonhar de nada que é feito de coração puro.

Para os matadores psicóticos eu digo que ignorem o parágrafo acima e peguem o momento em que vivem para se tratar, isso não é uma piada. Para os que vivem atrás do pc, digo que devem se inspirar nesse texto e sair de casa, se divertir, pois a maioria das pessoas n morde, algumas só quando se pede. Para os inrustidos, digo que dêem logo e saiam do armário, pois depender de outra pessoa para sentir prazer é fora de moda.

Em suma eu quero dizer que para mim a morte é o arco final de uma existencia que só é maravilhosa por sua existencia, mesmo que isso soe sombrio, mas a morte é o clímax da vida. Nada de viver de preto por isso ou andando em cemitérios, a não ser que essa vibe te faça bem; a morte é um ponto onde uma vida se torna história e para ser bem contada ela tem que ser bem vivida. Afinal a vida é que tem graça, a morte é caida demais.

"Se vc não consegue ver além do seu próprio nariz, vc só pode culpar a si mesmo. Jogue fora suas obrigações e descubra quão longe vc pode ver. Isso parece mesquinho ou vulgar? Ótimo! Pelo menos você saberá que eu vivi quando chegar a hora da morte!"