Eu estava ali parado, vendo o tempo passar e me dei conta daquele menino moreno de andar saltitante que sempre passava na porta da minha casa em direção ao horizonte.Achei graça do seu andar e do jeito que ele encarava a vida, como se fosse uma comédia tosca de Homero ou um romance noir da década de 30 com mulheres e vestidos vermelhos e fugas inesperadas para uma cuba romantica e socialista.
Na cabeceira de sua cama repousavam os mais encantadores pesadelos para prender qualquer uma desavisada que ousasse se encantar pelas palavras melosas e envolventes desse Don Juan as avessas, que sofre por não conseguir descansar ao lado daquela que ama por não conseguir ser feliz sem estar a procura dela. Um servo das mulheres que lhe consagraram um rei, dando sem perceber uma coroa de rei, o rei da dor. Deve ser por isso que ele corre tanto a noite,para ele a estrada causa mais frenesi que a vida pacada dos casais entediados e felizes. Sempre a 120 km\h e acelerando, pois sua liberdade não tem preço, nem mesmo o amor pode compra-la, sem deixar rastros ou lágrimas, apenas uma lembraça sobre sua hegemonia.
E das caracteristicas que mais me espantam nele é a forma de continuar orgulhoso quando tudo mostra que até os mais belos e fortes mitos sangram e que ele não é nada daquilo que acredita ser. Sua moral deturpada age como uma faca que corta quem ousar fingir uma adoravel animosidade com seu ego, sendo ele mais cruel quando é sendo ele mesmo que quando tenta fingir um veneno que sabe manejar mas não lhe faz bem. Sua face sempre estampando um sorriso doloroso que nem sempre revela a felicidade, mas cria a farsa de um conto de uma noite de verão com paixões e seres inimagináveis que se abrem como uma rosa em seus prenteciosos lábios carnudos de negro.
Do sexo se intitula um eterno admirador, mas parece sempre pretencioso quando observa os contornos dos amantes que preferem se omitir ao deixarem expostos a carne nua e crua na frente de um monitor ou de um Outdoor na Avenida Passos e como se condenasse esse pudor desmedido ele se lança aos beijos mais tórridos e as carícias mais lascivas bem no meio de seus textos provocantes em seu blog pouco badalado.
Para finalizar adoro as tardes com ele, quando em pleno devaneio ele percebe ser feliz com as pequenas coisas, desde um raio de sol fosco até a compania de seus iguais que como ele compartilham do caminho mais árduo e não se cansam de tentar, dando-lhe o gás necessário para seguir em frente. Digo que o amo mais que a mim mesmo e como não poderia de ser, já que ele aparece para mim todas as manhas, na frente do espelho, sempre me dizendo para continuar em pé, sendo ou não o certo a se fazer. Aplaudo esse Coringa mal trapilho que aos trancos e barrancos faz da minha vida mais feliz.
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