quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Gládio e Égide

Daquilo que eu sei a vida nunca foi tão bonita quando me montei de armadura e as portas do que seria a minha monótona vida fiquei de guarda, para que não se aproximassem emissários ou presentes de outros corações forasteiros que com suas manhas bandoleiras queriam roubar a tão frágil e delicada paz que conservei nesses anos.

Claro que ergui castelos e fiz amantes, porém com tempo exato para não esquentar a imensidão do meu infinito particular a quem jamais abri não muito mais que a fresta. Os que deitaram em minha cama ou beijaram minha boca ficaram na estrada que eu criava em cada fuga e aos que me alcançavam na lâmina de meu gládio sarcástico encontravam seu fim. 

Enfim caminhei para um momento onde encontrava um espelho, alguém de armadura como eu, reluzente e espirituoso, mas num tom mais belo. Entre todos os eventos improváveis e as incomparáveis semelhanças começamos a ver um no outro e cada dia mais a vontade da chuva e de caminhar de mãos dadas a beira mar foram surgindo.

Nas noites de quinta ficamos em claro entre sussurros e o medo de sermos pegos por olhos ilegais e nas noites de sexta avaliaríamos nossos segredos, contando dos amores e das canções que em prosa e verso, deixamos abrirem o caminho para me apaixonar por ti.

As vezes deitamos juntos para conversar e assistir a noite passar e em algumas manhas não queremos nem mesmo nos despedir. Outros dias pensamos em palavras proibidas e linhas que não devemos cruzar, para no seguinte nos entregarmos as palavras.

Como será agora sem armas? Não faço idéia, mas depois de tanto tempo me sinto a vontade de seguir um caminho onde tenho alguém como eu para me fazer companhia. E diante de tantos fins que eu pensei para esse texto, me lembrei que não se pode finalizar o que está só começando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário