sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Numa tarde de domingo

Por um momento, eu senti novamente o teu cabelo em meu peito, enquanto observava o dia terminar sua rota calorosa e a lua surgindo com toda sua pureza no céu anil, da cidade maravilhosa. Estranho, pois esse momento tomou-me a madrugada e me levou numa viagem surreal a um paralelo onde eu te encontrava e você vinha, ainda linda, com teus sorriso branco e teus olhos castanhos me dizendo que nosso amor era para sempre e eu te abraçava para não te soltar. Nunca mudamos o que acreditávamos para agradar o outro e aceitamos apenas o tudo que o outro poderia nos doar.

Em nós ainda sustentam determinadas cicatrizes, umas auto impostas, que nos revelam um amor que não pedia tanto para que existir e que dentro da simplicidade de duas crianças foi quebrando todas as barreiras, quase como um soneto de Vinícius a primeira vez que se ouve e criou inveja nas estrelas que chupavam machas amargas no céu onde foram condenadas a nos espiar em nossa luxúria desenfreada.

Bem, mas nesse sonho em que nos encontrávamos sua boca murmurava tantas histórias, mas as lágrimas diziam bem mais que tudo e nesse momento, tirei de mim tudo que eu era e me transformei em apenas uma marca no teu corpo, feita a tinta, como uma canção antiga que só significa para nós, um voto secreto de amor eterno.

Agora que essa ilusão se desfez, vejo que de tudo vou levar apenas lembranças amargas e quem sabe um pouco de você em mim. Desejo que a vida lhe trate bem e que tenha tudo que desejar e quem sabe um dia possamos nos encontrar, sem ter que fechar mais uma porta para nós dois. E saiba que nem mágoas e nem dores sobram desse amor, apenas deito-me para ver mais um dia iniciar.

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