Cruzando o tempo de uma vida, eu me perdi num curto espaço de tempo, onde tive em meus braços a forma tão vaidosa do desejo. Foi ela a minha primeira mulher de verdade, tendo todos os atributos de mãe, que tornaram meu bem querer quase um desejo de Édipo, pois era impossível não negar o fato que era dela o meu corpo e minha vontade de menino.
Nana me hospedou em seu caís musical para que eu me deleitasse dos romances que ela cantava em meu rádio, mas na boca desta mulher eu pintei o azul do céu e deixei que ela imprimisse em minha pele as suas marcas de onça pintada que eram ao mesmo tempo tão doces e tão vorazes, dando ao ato um tom bem menos profano que minhas palavras podem descrever.
Nos teus braços me senti entregue no sabor das ondas tranquilas, como se não precisasse de paixão para ser feliz, mas daquele sentimento estranho chamado amor, que não te exige e nem te machuca, mas te preenche com uma alegria estranha ao ver apenas o sorriso ou sentir o toque tão doce ou até selvagem da mulher que ali está. Enquanto os críticos se perguntam por que eu não falo do seu sexo, apenas digo que com ela, não é sexo em si, mas uma coisa entre isso e aquilo que eu e outros poetas tanto descrevemos.
Não sou mais um poeta tão bom por que esse amor tem implicações jurídicas em meu ser tão grandes que cato palavras e camuflo outras tão certas e que não caberiam numa relação mais madura, apenas em surtos adolescentes tão perigosos para nosso segredo de Estado. Já que os olhos tão recriminadores parecem me crucificar como um pecador, deixo apenas um olhar para o por do sol no nosso caís particular, onde posso ser teu e você por um momento ser de alguém além de si mesma.
Claro que falo de olhos, palavras e outras coisas, quero te dizer que não quero mais ser discreto em tua presença ou abafar meus poemas com palavras de Nana ou qualquer outro Caymmi ou Lins. Quero te amar, te tocar e fazer uma farra particular contigo, apenas enquanto não nasce o sol do dia em que você vai para sua casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário