quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vicio

   Primeiramente quero dizer que sou uma voz sem dono na cidade maravilhosa, que vaga perdido e insone a procura do vestígio de sanidade que ainda possa existir perdido nas esquinas sujas que costumo frequentar. Noite passada deixei que ele viesse de novo, com sua seringa e mais uma vez tomasse minha alma com lábios de bourbon invadindo minhas intimidades, infectando com seu veneno perolado que preenche minhas cavidades e entorpece meus sentidos.
   Eu não sei seu nome e nem sei se existe ou se está dentro das minhas ilusões, mas desde a primeira vez que fui tomada pela infâmia leitosa de seu ereto membro negro deixei minha educação de dama para me assombrar como sua puta, entregando pra ele e seus amigos todo meu pudor. Eu fui além da sanidade só para provar o que vem além do prazer e talvez eu tenha desperdiçado os blues do Djavan, que tanto me foram companhia solitária nas noites que suas mãos não testavam meus limites.
    Seu veneno foi tão intenso que cresce em mim uma força que em breve irá romper minha adorável morada, me fazendo ver o quanto baixo eu fui e quantos os meus números passaram do que deveria ser. Ser sua mulherzinha me custou a liberdade, o dia seguinte e outros sonhos que eu nunca vou realizar, pois estarei desacordada tentando me reabilitar dos danos da droga branca que você me viciou e da qual não consigo mais me desvencilhar. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Conversando sobre o trakinas

  Jamais pensei em tornar meu blog um diário virtual e compartilhado, mas relendo minhas antigas amarguras foi o que eu fiz, talvez por que descobri que chateação compartilhada é melhor que ficar amargurado no quarto ou quem sabe chapado por ai a mercê do acaso.
   A verdade é que aqui eu chorei minhas perdas,contei enfátimamente as minhas transas e ousei a dar detalhes do meu corpo de forma explícita, receio até que possa ter chocado muito os poucos leitores fiéis que esse blog tem, mas fazer o que se eu sou exibido mesmo e dentro de mim exista alguém que ama chamar a atenção, que gosta de causar as mais fortes idéias na mente de alguém... eu sou assim.
   Mas esse não é apenas o único eu que existe neste móbile perdido dentro de um furacão e dentre as mil putarias, das centenas de loucuras suburbanas que eu cometo no meu cotidiano complexo ainda existe um homem, que não tem sempre as mais maduras as atitudes, mas deixa dentro arder um coração que manipula todo o andar vagabundo desse corpo vadio, as vezes tão cansado de se repetir.
   Desdobrando-me em meu baú de histórias descobri uma criança e um homem em eterno conflito para ver quem é o melhor senhor da minha vida e sem ao menos me questionar, ambos tomavam para si o direito de reger minhas escolhas, das roupas ao trabalho e nesse caos notei que eu mesmo crescia, as vezes bem torto para uma amplitude indefinida que me meteu tanto medo, que de imediato desci e fui brigar com ambos e dentre os cortes que eu lhes causava vi meu corpo ser o maior flagelado e então parei e os encarei de frente, como se deve enfrentar uma besta e vi nos seus olhos o meu reflexo e então notei que a criança nada mais era o menino que se perdeu em mim num passado e o homem é nada menos que aquelas aspirações ainda não realizadas.
    Ali conheci o que em mim existia e com a criança voltei a rir e a acreditar em sonhos e já com o homem aprendi a tornar inspirações em realidade, textos e a dar pra criança o abrigo que o menino precisa pra não ser mais tão mimado e poder deixar o meu corpo descansar em um momento de sobriedade nos meados dos meus 23 anos.
   Hoje escrevo sobre mim e sem vergonha me desnudo diante dessas palavras mais uma vez, só que com mais certeza do que sou e falo, pois pela primeira vez posso dizer que conheço melhor esse tal de trakinas e sei todas as coisas boas e ruins que ele se causa e que ele causa aos presentes. Uma boa noite senhores do júri.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A minha versão do sonho

Então você está ai sentado de frente para o seu computador, lendo mais esse texto e avaliando a forma em que foi escrito, talvez tentando capturar uma idéia, quem sabe um fragmento útil, no meio de tantas mensagens fúteis, mas não venho te oferecer nada disso. Aqui hoje está meu desgosto exposto como uma mulher desprezada pelo parceiro, que se sexcita mais com uma partida de futebol que com o velcro que sua mulher ostenta bem aparado para ser usado e abusado.

Minha vida desata na amargura pelo fardo de não ter ainda realizado minha versão do sonho americano, que no caso inclui uma relação livre de regras que não nos sejam convenientes, uma casa ou melhor uma fortaleza que evitará a presença dos despresíveis e dos familiares e um poder que exalaria com o meu perfume, mostrando o tamanho do meu dote, que não se mediria apenas pelos 16cm, mas por toda a extensão do que eu posso fazer. Nesse sonho eu seria livre da régua, do pesar e da dúvida, seria mais parecido comigo e me casaria com quem quisesse ao luar e o divórcio seria no alvorecer seguinte, sem lágrimas ou dores já que teriam apenas amantes.

Diante das verdades chinesas que se aproximariam de minha convêniencia, eu não precisaria mais explodir em milhões de pedaços, apenas me conformaria e seguiria o dia como se ele fosse a primeira tulipa gelada que eu tomava na vida e todo o seu gosto diferente me traçaria o caminho de todo bom malandro. Sem rumo eu me aprumo mais que com todos esses recalques dos teus casos falidos de amor.

O que eu queria do sonho era a vontade de não ser mais avaliado e poder ir pra frente ou pra trás, dar ou comer e sem ninguém pra me dizer o que é moralmente correto pra um homem da minha estatura, cor e religião. Quero do sonho que ele venha pros meus braços e não se desperte no meio de contas e gravidez repentina, eu quero ser livre e tomar o mundo num gole só. Esse é meu sonho afinal.