Jamais pensei em tornar meu blog um diário virtual e compartilhado, mas relendo minhas antigas amarguras foi o que eu fiz, talvez por que descobri que chateação compartilhada é melhor que ficar amargurado no quarto ou quem sabe chapado por ai a mercê do acaso.
A verdade é que aqui eu chorei minhas perdas,contei enfátimamente as minhas transas e ousei a dar detalhes do meu corpo de forma explícita, receio até que possa ter chocado muito os poucos leitores fiéis que esse blog tem, mas fazer o que se eu sou exibido mesmo e dentro de mim exista alguém que ama chamar a atenção, que gosta de causar as mais fortes idéias na mente de alguém... eu sou assim.
Mas esse não é apenas o único eu que existe neste móbile perdido dentro de um furacão e dentre as mil putarias, das centenas de loucuras suburbanas que eu cometo no meu cotidiano complexo ainda existe um homem, que não tem sempre as mais maduras as atitudes, mas deixa dentro arder um coração que manipula todo o andar vagabundo desse corpo vadio, as vezes tão cansado de se repetir.
Desdobrando-me em meu baú de histórias descobri uma criança e um homem em eterno conflito para ver quem é o melhor senhor da minha vida e sem ao menos me questionar, ambos tomavam para si o direito de reger minhas escolhas, das roupas ao trabalho e nesse caos notei que eu mesmo crescia, as vezes bem torto para uma amplitude indefinida que me meteu tanto medo, que de imediato desci e fui brigar com ambos e dentre os cortes que eu lhes causava vi meu corpo ser o maior flagelado e então parei e os encarei de frente, como se deve enfrentar uma besta e vi nos seus olhos o meu reflexo e então notei que a criança nada mais era o menino que se perdeu em mim num passado e o homem é nada menos que aquelas aspirações ainda não realizadas.
Ali conheci o que em mim existia e com a criança voltei a rir e a acreditar em sonhos e já com o homem aprendi a tornar inspirações em realidade, textos e a dar pra criança o abrigo que o menino precisa pra não ser mais tão mimado e poder deixar o meu corpo descansar em um momento de sobriedade nos meados dos meus 23 anos.
Hoje escrevo sobre mim e sem vergonha me desnudo diante dessas palavras mais uma vez, só que com mais certeza do que sou e falo, pois pela primeira vez posso dizer que conheço melhor esse tal de trakinas e sei todas as coisas boas e ruins que ele se causa e que ele causa aos presentes. Uma boa noite senhores do júri.