domingo, 16 de outubro de 2011

Em carne viva

Estou aqui, caminhando nesta longa noite que não tem mais fim, desafiando deuses e profetas, ignorando meu próprio futuro, apenas para ter a chance míope de beijar seus lábios de discórdia e trançar por entre suas pernas cor de frustração e quem sabe banhar-te com meu liquido viscoso e perolado que concede vida aos menores e causa repúdio aos maiores.

Próximo do teu corpo nu, ilusão, eu me sinto tão impotente ao ponto de meu membro rígido se apontar para o céu, claramente pedindo sua boca e suas mãos ao redor de mesmo, para arrancar-me suspiros sinceros e toques incertos. Não sou mais um cavalheiro que pretende proteger-te de tudo a sua volta, sou canalha de sangue quente e viril como um cão sem fêmea no cio e dotado do prazer mais egoísta e sombrio só pra te ver gozar primeiro.

A noite acaba com um até logo inesperado, que ignora todos os pedidos do tempo retornar. E conformado eu parto por saber que nem sou o nome que passa pela tua cabeça, já que são os outros abraços que teu corpo deseja, mas finge não querer, por pura hipocrisia ou conceito moral qualquer que não cabe mais entre nós, meros mortais.

Sim, do teu lado me sinto quase como uma criança indefesa ou um salafrário esguio, que pelas sombras rouba um pouco mais da tua atenção carnal e que se deixa sangrar pela tua indiferença mórbida de quem já tem o que aguardar de mim e que nem se interessa pelo pouco que eu demonstro.

Meu corpo sangra a cada hora que isso parece ser mais derradeiro e me mancho de uma cor de indisponibilidade somente para ver se o meu jogo sombrio tem mesmo validade. E que ignore em suma todo o meu desencanto pelos teus sonhos ou pela tua amizade fria, pois apenas ela conforta meu ego desfigurado pelo fogo insolente da sinceridade que eu lhe ofereço.

A cada hora de devaneio eu me pergunto então, por que lhe dizer o que eu penso se é de mim que tu cria mais antipatia ou até indiferença sutil e que sou o mais verdadeiro para ti. Deve ser como dizem, monstros como eu merecem viver relegados no abismo, apenas admirando aquilo que não devem ter...

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