quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Gládio e Égide

Daquilo que eu sei a vida nunca foi tão bonita quando me montei de armadura e as portas do que seria a minha monótona vida fiquei de guarda, para que não se aproximassem emissários ou presentes de outros corações forasteiros que com suas manhas bandoleiras queriam roubar a tão frágil e delicada paz que conservei nesses anos.

Claro que ergui castelos e fiz amantes, porém com tempo exato para não esquentar a imensidão do meu infinito particular a quem jamais abri não muito mais que a fresta. Os que deitaram em minha cama ou beijaram minha boca ficaram na estrada que eu criava em cada fuga e aos que me alcançavam na lâmina de meu gládio sarcástico encontravam seu fim. 

Enfim caminhei para um momento onde encontrava um espelho, alguém de armadura como eu, reluzente e espirituoso, mas num tom mais belo. Entre todos os eventos improváveis e as incomparáveis semelhanças começamos a ver um no outro e cada dia mais a vontade da chuva e de caminhar de mãos dadas a beira mar foram surgindo.

Nas noites de quinta ficamos em claro entre sussurros e o medo de sermos pegos por olhos ilegais e nas noites de sexta avaliaríamos nossos segredos, contando dos amores e das canções que em prosa e verso, deixamos abrirem o caminho para me apaixonar por ti.

As vezes deitamos juntos para conversar e assistir a noite passar e em algumas manhas não queremos nem mesmo nos despedir. Outros dias pensamos em palavras proibidas e linhas que não devemos cruzar, para no seguinte nos entregarmos as palavras.

Como será agora sem armas? Não faço idéia, mas depois de tanto tempo me sinto a vontade de seguir um caminho onde tenho alguém como eu para me fazer companhia. E diante de tantos fins que eu pensei para esse texto, me lembrei que não se pode finalizar o que está só começando.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Numa tarde de domingo

Por um momento, eu senti novamente o teu cabelo em meu peito, enquanto observava o dia terminar sua rota calorosa e a lua surgindo com toda sua pureza no céu anil, da cidade maravilhosa. Estranho, pois esse momento tomou-me a madrugada e me levou numa viagem surreal a um paralelo onde eu te encontrava e você vinha, ainda linda, com teus sorriso branco e teus olhos castanhos me dizendo que nosso amor era para sempre e eu te abraçava para não te soltar. Nunca mudamos o que acreditávamos para agradar o outro e aceitamos apenas o tudo que o outro poderia nos doar.

Em nós ainda sustentam determinadas cicatrizes, umas auto impostas, que nos revelam um amor que não pedia tanto para que existir e que dentro da simplicidade de duas crianças foi quebrando todas as barreiras, quase como um soneto de Vinícius a primeira vez que se ouve e criou inveja nas estrelas que chupavam machas amargas no céu onde foram condenadas a nos espiar em nossa luxúria desenfreada.

Bem, mas nesse sonho em que nos encontrávamos sua boca murmurava tantas histórias, mas as lágrimas diziam bem mais que tudo e nesse momento, tirei de mim tudo que eu era e me transformei em apenas uma marca no teu corpo, feita a tinta, como uma canção antiga que só significa para nós, um voto secreto de amor eterno.

Agora que essa ilusão se desfez, vejo que de tudo vou levar apenas lembranças amargas e quem sabe um pouco de você em mim. Desejo que a vida lhe trate bem e que tenha tudo que desejar e quem sabe um dia possamos nos encontrar, sem ter que fechar mais uma porta para nós dois. E saiba que nem mágoas e nem dores sobram desse amor, apenas deito-me para ver mais um dia iniciar.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Dia de finados

Sejam bem vindos ao meu velório de corpo presente e peço que bebam mais uma vez do meu sangue, seus vampiros. Se bem me lembro do ódio que irriga minha carne e sustenta meu corpo, todos vocês aqui, sem exceção dele já bebericaram, talvez por compartilharem a minha doença que destruiu minha juventude como um câncer bem alojado na minha coluna cervical, me deixando primeiramente paralítico ante a doença em si e depois me negando os mais doces desejos carnais, para que terminasse me mantendo em cárcere dentro de meu próprio quarto, com meu pau na mão e assistindo a despedida repetida daquelas que eu amaria se ficassem um pouco mais em minha vida.

Seus rostos nublam a paz de transcender, pois cada um de vocês está impregnado com o mesmo nome que o meu, nos tornando família e ao mesmo tempo deturpando esse sentido de parentesco para uma tortura enebriante dos meus sentidos. Sem saber o que sou, me confundo em suas suspeitas sobre minha sexualidade ou sobre os abusos que cometi ou não aos tantos jovens que em minha vida passaram. As drogas que segundo vocês eu consumo, não me entorpecem mais, talvez por que nem mesmo a ilusão do vício pode me trazer paz notória. Sou o mal falado dentre todos vocês, pela boca do meu caçula ouço apenas que sou vagabundo, preguiçoso ou até mesmo um fodido qualquer. Da progenitora, que se vangloria de meus fracassos e aplaude hoje seus cinquenta anos de maldição, apenas ouvi ameças e fracas acusações de feitos tão impróprios.

Bem, agora estou morto, mas ainda sinto em mim a sujeira do nome que compartilhamos e a doença que ele nos traz, pois bem vejo diante do véu que cai, suas podres melancolias expostas e seus passados com prostitutas, viciados e agiotas, tudo isso enfeitado de loucos esquizofrênicos que humildemente morrem sem ter nenhum amparo de seus irmãos, atropelados na sarjeta úmida ou abandonados num asilo.

Em tempos mais áureos nos reuníamos juntos em baixo de um pé de carambola e contávamos histórias, mas nem isso temos mais, pois vendemos tudo que temos por não progredir e nem elaborar melhor seus próprios desejos. Somos vitimados do fracasso de um escravo liberto e uma jovem tola, que deu origem a uma geração tão torpe que me envergonha com todos seus planos medíocres e suas palavras gastas.

Morro temeroso, pois se carregar em minha lápide qualquer menção dos meus antepassados, prefiro fazer como um tio meu e sumir indigente.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

As coisas que deixamos pelo caminho

Mais um copo de alguma coisa doce, parece vodca com frutas, mas na verdade é só mais um dos anestésicos que eu tomo para fingir que não ligo. O quarto está escuro, tirando a luz que nunca se apaga do outro lado da rua e esses mil vagalumes que alguém escondeu para me lembrar de dias de primavera, onde não havia nada errado e os segredos ainda estavam verdes demais para ocasionalmente tornarem-se mentiras emolduradas. Tudo era diferente. Meu quarto, teu beijo e os poemas, tudo parecia ter mais vida, mas alguém esqueceu de dizer sobre o inverno e a maturidade que temos que ter. Alguém esqueceu de contar sobre a culpa e os fantasmas, que vem e vão enquanto mais corpos nus efeitam a sua rua.

Era uma piada que te fazia rir ou um texto que lhe deixava corada e eu não era um qualquer vulgar, mas algo entre o Don Juan e um cavalheiro vestido em metal reluzente, que estava diante do armagedom para salvar você antes do último suspiro, até que você olhou pro lado e viu que era carne e fiasco que recobriam meus sonhos, desistindo então daquilo que lhe dava sentido nas noites de lua cheia. Chegamos a embalar vidas em seu ventre e enganar os grandes mestres disso e daquilo, mas nem isso significou alguma coisa quando o acidente se assombrou.

Dou outro gole nesse mordaz companheiro enquanto você está ai, distante com seus amigos, rindo ou chorando, ainda não sei bem. Das suas novidades eu não ouço nada e dos seus sonhos, sei apenas de medos que eu tantas vezes afugentei com minha mão mesmo. E dos outros, desses eu não sei mais nada, por que então me perguntar se um dia vamos estar na mesma mesa, diante de nosso pecado?

Felicidade é outro feitiço para me sentir mais culpado com tudo que não acabou para nós, mas o que importa é que ainda há o outro dia e mesmo essa cara amarrada no espelho vai melhorar quando chegarem os presentes e os amigos, pois é dia de apagar o passado, as velas e começar a reinventar um novo lugar para se estar.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Paraíso de um Cafetão

  A deprimente foto em meu mural tem o sabor amargo da erva que você usa para não se sentir tão suja e enquanto eu vendo um pouco do meu sonho em texto, ai está você em alguma cidade perdida entre o aqui e o baiano, dando o que um dia foi prometido pra ser apenas meu e sem vergonha me conta que tudo isso é culpa da minha desistência, quando você mesmo me disse adeus.

   Aliança no dedo não impediu que nos tornássemos estrelas decadentes em meio a um oceano de palavras não correspondidas e tatuagens escondidas, como se assim, ainda pudéssemos acreditar que a carne ainda nos pertencesse depois de tanta venda no escuro. E mesmo assim as lágrimas que valem ouro, são tão bem escondidas sob o sorriso do indevido que tudo parece mais reluzente.

   Ao som da pélvis surrando suas ancas e a fumaça verde que solta a cada vez que traga mais um dos entorpecentes que te abrandam a falta do óbvio, me fazem cair de piedade por sua covardia em seguir como os peregrinos que viajam por amor. É tão débil a tua falta de amar, que a chuva que cai me faz lembrar do quanto você desperdiça.

  É o paraíso de um cafetão, perdida nas mãos de algum homem mais velho e seus vícios ou então dando o que não era seu para satisfazer o próximo enquanto aumenta a distancia e se vai pra mais longe de meus olhos caídos de quem já provou do mundo o amor que você um dia almeja encontrar. E por fim eu temo a piedade que eu lhe entrego, pois sei que é só uma sombra da mulher que deveria ter sido.

sábado, 22 de junho de 2013

Desabafo


Eu estou aqui, diante de tudo que cai, longe de tudo que faz sentido, talvez até um tanto ferido e definitivamente perdido. Foram tantas as mulheres na minha cama e as mentiras que eu contei, as bocas que eu beijei e os segredos que formentei só para ter a impressão de liberdade estonteante que os romances me causavam, enquanto eu me perdia no ápice de sua despedida sem um beijo.

Não desejo luxo ou lixo, mas gozar essa noite teria sido bom, pois não sei ouvir seus elogios tão camuflados em clarezas e jogos de azar, mas aos teus orgasmos eu indentifico com uma maestria pessoal, como um artista vê uma obra de arte.

É clara a baixaria que se encontra em minha lingua afiada pelo metal da luxúria incandecente que desce aos céus toda vez que sinto o arrepio de sua pele ao encontrar o toque tremulante dos meus dedos que em inveja por não terem sido os primeiros a navegar em tua gruta chamada de vagina.

A mórbida sensação que teu silêncio cor de pessêgo me causa, traz na memória o desconforto que senti diante de tua grandeza quando mostrou-se uma mulher em que eu não podia confiar, já que em tuas notícias existiam a capacidade de maquiar os fatos, bem como maquia a intenção e o propósito.

Desejava mais afagos de doces palavras  tua boca mistério, mas ao invés de ajoelhar eu me rebelo contra o cortejo de Vinícius, que me diz os segredos de como ter uma mulher e não só a sombra de um espinho doloroso que recorre ao sárcasmo para destilar teu desejo infame em desprezar o macho que te toma por audácia tua moral e a fode.

Em término de festa digo que todo amor arde como o coração de um irlandês, mas se é duradouro ninguém sabe ao certo, pois tudo que temos entre a maquiagem de tuas omissões e a expectativa de Toquinho, são palavras repetidas até mesmo pelo papagaio careca que ostenta como seu amigo em dias de véspera.




sábado, 1 de junho de 2013

O meu mundo

 Imaginem aquela pele macia que gosta de acariciar, a lua e o vinho acompanhados da boca seca pelo desejo de possuir o próximo, num surto de unhas e dentes desesperados por compreensão mútua na carne da presa. O puro sexo, sem a poesia da Cidade dos Anjos, mas com o sabor de uma volta em Paris no outono, em um quarto apertado ou entre os lençois de seda do mirante que brilha no horizonte, numa noite tão envolvente.

Em minha vida eu me embebedei com as cascatas do néctar libidinoso das vaginas que se abriram pra mim e as fodi com todo o vigor que eu poderia e me desculpem os mais conservadores, mas sempre acreditei que a função do sexo eram gozos e sussurros bem projetados e quem sabe o que viria em seguida, mas ao amor nunca deixei de debitar meu apreço por ele, podendo ter amado a minha maneira cada uma das mulheres com quem dividi meus imorais desejos e a vida foi por uma década prazeres, sussurros e gozo deixando impresso pelo corpo os autógrafos de minhas musas, todas tão traiçoeiramente belas em seu gênero e como eu as amei, por um profundo momento.

Seus nomes ainda estão em minha mente e algumas ainda frequentam minha memória nas noites de solidão em que me possuio em sua intenção, sem vergonha de admitir meus atos infames ou até mesmo os atos honrados que mostravam os erros apagados e os desejos semi mortos, iluminando todo o mortuário das declarações rasgadas pela sua fúria. Eu as amei e as desamei, reaprendendo sobre o futuro e amargando um templo de solidão comum aos que tem fraco em vaginas diferenciadas.

Hoje vejo que amo e que amei mais que imaginava e resisti bem menos do que os loucos expeculam, mas o que importa não são as lágrimas, pois essas secam e secaram através dos anos e em cada amor que eu vivenciava, mas os sorrisos e os dias em que vimos filmes juntos ou por telefone ou das brincadeiras e músicas que só funcionam com nossa voz e mãos, tudo isso resume em si o meu mundo e meus amores. Agora tenho um nome gravado como tatuagem em meu peito e sei que como outros ele irá lá permanecer até o fim dos meus dias.

E se especula sobre o vazio dos outros amores e para onde meus olhos apontam nesse momento, digo que ainda sou o mesmo e ainda sinto o vazio, mas ele se preenche a cada segundo em que faço sexo, amor ou fodo com força. Esse é o segredo, amar o que tem para ser amado e não mais esperar do sexo, pois dele só tem que ser bom ou o melhor, depende do seu potencial.