domingo, 15 de julho de 2012

O homem oco

A estrada parece mais longa essa manha, não sei se pela falta de expectativa, ou se é pela dose dupla de anti alérgicos que ingeri mais cedo, mas sei que pela primeira vez, a longa estrada entorpece meus sentidos ao ponto de não ligar das lágrimas angelicais que caem das nuvens, nessa manha de domingo. Eu vejo pessoas passando por mim, são apenas mais um sinal de que a vida ainda está a minha volta, mas não toca as minhas mãos morenas e nem meus lábios cruéis.

Não estou morto de fato, mas entendo o termo intraduzível que me define como um " não morto", um ser que caminha, come, dorme, mas n se sente saciado pelo que a vida apresenta, quase como um louco entendiado e perdido. Eu sou um clichê do qual você vai se cansar no momento em que ver onde eu vou levar seus sonhos. Como um arlequim desalmado, eu tomo teus sonhos e teu prazer para minha cama e te amarro num lugar escuro, onde sou pesado e fornicador... Uma sombra maldita dos teus suspiros que irá tomar você até que saia dessa prisão.

Sem armadura, caminho para casa e não trago glórias ou pesares, talvez cadáveres cantem meu nome enquanto marcham com o barqueiro e em suas vozes se ouça minha dor, falando de traições, amores e do rum que aqueceu várias noites sombrias. Sem alma eu vago no estreito entre homens e sonhos, sendo esmagado pela vontade chula de poder não ser mais de carne e transcender a vontade, indo para um lugar onde não se sinta preso a derivados de carência dependente, onde possa se ter mais sem se vender por menos.

A estrada me trouxe de volta para a casa, e em minha cama sonho com o rascunho do teu corpo que eu mesmo desenhei com a minha mão nua, sem segredos ou pudores. O código pirata que nós inventamos para deixar qualquer um para trás, não nos salvou quando nasceu o dia e o mundo foi comemorar a aurora e nós dormíamos como amantes exauridos. Essa resenha curta é para não entediar e esse é meu desabafo sobre o fim de um dia e o recomeço de outro, espero desta vez ouvir aplausos dos que partiram em seu ultimo soneto lírico e fúnebre.

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