Mundo gigante para um homem tão pequenino, perdido nas luzes da cidade e inebriado com o aroma da preguiça que adormece nos poros da minha geração. Para todos eu visto ouro, mas pra você são só roupas tingidas e as minhas pedras de lágrimas não compram mais teu sorriso. Somos incompatíveis, pois na minha realidade pálida tem monstros que não me apavoram e você os chama de apatia, quando vê os dados rolando em direção ao norte.
Nas chamas que queimam meu corpo, nos beijos que inflamam minhas feridas e nas camas que eu amarroto, você só consegue enxergar desperdício dos meus dias, como se eu morresse sempre aos poucos. Eu assisto os seus erros do passado e o homem que isso criou não é nada atraente, por isso ele vive no escuro e suas orações não tem como salva-lo. Seu carinho não é mais suficiente e meus segredos podem me levar pra algum lugar que não seja sob o peso dos teus olhos.
Talvez eu me salve de você e crie um lugar melhor onde Cícero seja meu salvador e não o salgado do teu nome que causa no meu coração o assombro de terminar tão louco quanto os teus iguais. Nós cansamos um do outro e não há mais volta para nossa separação genética. Somos desconhecidos que acordam juntos, bebendo do mesmo veneno todos os dias.
Sem pianos ou avisos solenes, eu quero partir da tua criação e deixar pra trás todo esse monstro que você deu pro mundo, mas sei que seria impossível apagar da minha alma e do meu rosto as cicatrizes que carregamos e nos tornam tão parecidos. Sou um assombro de todos os teus erros e você é a culpa de todos os meus acertos, mas nem queremos mencionar das capacidades que são nos negadas.
Digo que essa é uma carta de alforria, pois não serei mais teu senhor feudal e nem o lorde que acorrenta tua vontade aos meus calcanhares, não serei também servo do teu humor tão avassalador que derruba a minha falta de vontade em prosseguir mais um segundo sob seu teto de amianto. Por alguma razão você sabe tão bem quanto eu, que eu irei pra longe e sem jeito de voltar, já que os espinhos que estou abandonando pelo caminho iriam ferir meus pés e meu orgulho, em caso de arrependimento.
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