segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Conversando sobre Pã

Caminhando um dia pela selva de pedra greco-carioca avistei ao longe algo que se parecia com um homem com pernas de bode e roupas de playboy. Era Billabong, lingua afiada como uma lâmina de bronze e muitas ninfas ao seu lado. De fato não era bonito como Apolo e nem forte como Hércules, mas astucioso e brincalhão, talvez até mais que eu. Ama a bebida dos piratas e até já foi visto com uma prancha, mas em tempos passados.

Seus olhos no inicio procuravam a diversão e o prazer com os seus irmãos, deuses como ele, sentados no playground do Olimpo. Se nos encontrassem nesses dias, veriam nós Deuses mais inconsequentes e cheios de si, brincando de sermos outras pessoas só para passar o tempo. Eram violões e paqueras, dias de praia e arco íris e os deuses mudando de nome: Pã assume a alcunha de Loki, deus da travessura numa versão séria e sombria, criando um paradoxo na própria existencia desse deus sátiro que comigo caminhava.

De certo esses dias passaram como areia no vento e não podemos aproveitar, agora a margem do armagedon, vejo um Pã acompanhado com uma ninfa que faz ele se inflar de orgulho e deixar sua lingua de bronze dominada com o veneno do deboche. Os deuses que caminhavam conosco migraram pra vida real, preferindo parar de fingir serem outras pessoas para atuar feito pessoas normais e os novos homens disfarçados de divindades degladeiam por mulheres que não valem a pena, alguns dando rasteiras e outros entregando seus braços para mordida de mulheres delirantes.

Mesmo que isso possa parecer um grande surto de mais um infectado com a doença dos sonhadores, que preferem trocar o mundo real pelo mundo alternativo, eu posso dizer que em todas as minhas fugas, a mais alucinante foi encontrar como companheiro de caminhada um sátiro debochado e orgulhoso, as vezes meu irmão e noutras vezes age como se fosse minha mãe. Tem dias até que me protege e me jura porradas pra em outros me olhar com cara de quem fez merda e falar que parecia uma boa idéia.

O desastre é seu companheiro mais fiel, quase nunca o abandonando, criando uma aura de comédia e ironia para todos que a seu lado. E não nego que eu, senhor das uvas, sou um admirador desse baixinho nervoso que tenho o prazer de chamar de irmão!

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