Eu estou aqui, diante de tudo que cai, longe de tudo que faz sentido, talvez até um tanto ferido e definitivamente perdido. Foram tantas as mulheres na minha cama e as mentiras que eu contei, as bocas que eu beijei e os segredos que formentei só para ter a impressão de liberdade estonteante que os romances me causavam, enquanto eu me perdia no ápice de sua despedida sem um beijo.
Não desejo luxo ou lixo, mas gozar essa noite teria sido bom, pois não sei ouvir seus elogios tão camuflados em clarezas e jogos de azar, mas aos teus orgasmos eu indentifico com uma maestria pessoal, como um artista vê uma obra de arte.
É clara a baixaria que se encontra em minha lingua afiada pelo metal da luxúria incandecente que desce aos céus toda vez que sinto o arrepio de sua pele ao encontrar o toque tremulante dos meus dedos que em inveja por não terem sido os primeiros a navegar em tua gruta chamada de vagina.
A mórbida sensação que teu silêncio cor de pessêgo me causa, traz na memória o desconforto que senti diante de tua grandeza quando mostrou-se uma mulher em que eu não podia confiar, já que em tuas notícias existiam a capacidade de maquiar os fatos, bem como maquia a intenção e o propósito.
Desejava mais afagos de doces palavras tua boca mistério, mas ao invés de ajoelhar eu me rebelo contra o cortejo de Vinícius, que me diz os segredos de como ter uma mulher e não só a sombra de um espinho doloroso que recorre ao sárcasmo para destilar teu desejo infame em desprezar o macho que te toma por audácia tua moral e a fode.
Em término de festa digo que todo amor arde como o coração de um irlandês, mas se é duradouro ninguém sabe ao certo, pois tudo que temos entre a maquiagem de tuas omissões e a expectativa de Toquinho, são palavras repetidas até mesmo pelo papagaio careca que ostenta como seu amigo em dias de véspera.