segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

21

A poeira aumenta em volta da minha vida monótona enquanto o ópio invade meu corpo. Estou só a espera de noticias, mas o telefone não trás a sua voz assustada me dizendo que tudo vai ficar bem. Um carro te levantou para outro lugar onde minha mão não pode segurar a sua e na queda parte de nós se estilhaçou feito vidro, deixando na memória um pouco das palavras brutas que saiam da minha boca sem piedade. Você saiu sem me acordar e sem ouvir sobre mais algum sonho que você reprovaria.

Na fotografia ao lado de nossa cabeceira temos gravado quem nós perdemos juntos e as lágrimas ainda úmidas na nossa face mostram que nosso sentimento era o mesmo, a diferença era só a indiferença que reside em meu coração depois de tudo que me fez ver. Tudo que se foi naquele instante, num canto escuro e sem flores ou amigos para segurar o pesar da distancia, nem me doeu tanto quanto essa saída pela lateral que você noticia para mim, como se fosse de propósito apenas para criar culpa no meu coração cheio de inverno.

Sem responsabilidade e culpa, erguemos nossa bandeira de compatriotas e esperamos melhoras de nossas feridas, mas sem poder mais caminhar por conta de nossa imprudência constante, nos encontramos numa cama fria e sozinhos, acreditando que no fim das contas exista uma razão para tudo o que estamos vivendo e não seja sem sentido ou sem carinho que tudo vá terminar, num acidente qualquer ou numa despedida sem adeus.

No fim não nos reconheceremos mais, pois onde você estará será num lugar onde eu jamais poderei te tocar e você vai ver que eu era mais que você acreditava ser, talvez um homem que lhe daria orgulho ou só um garoto que gostava de brincar com coisas rasgadas, num mundo onde ninguém pode entrar. Sem notar que somos um espelho mórbido e que com sua praticidade eu cresci quase deformado, sendo uma arma crítica para suas cruzadas contra os rompantes de quem ainda é muito jovem de corpo e de alma. Você me afiou e agora quer ficar longe, como se não conseguisse mais enxergar que é culpa sua.

A tristeza me cerca de uma forma quase súbita, mostrando que a vida sem seu julgamento e sua necessidade de ter meu rosto ao seu lado, pois fomos companheiros de certa forma. No fim de tudo, estamos sentido o mesmo medo, pois como dois generais, sabemos tudo sobre o fim e nesse caso é incerto e o tremor incomodo que dá essa dúvida faz esfriar até mesmo a noite quente que nos envolve.

Espero que sua ferida melhore e que a minha enfim cicatrize, pois ambos estaremos distantes enquanto isso acontecer e se pretender voltar, saiba que sua força não é mais a mesma e que dentro de mim arde a certeza de sua clemência. Ainda haverá em nosso caso de amor e ódio, muito a que ser dito e espero para o próximo debate. Até breve.